Seguindo o rastro evolutivo de Liopropoma carmabi

Um dia destes, eu estava observando as imagens de algumas das 27 espécies que existem do gênero Liopropoma (do Grego leio+pro+poma, que quer dizer mais ou menos “boca a frente do opérculo”) no Fishbase e, observando os vários mapas de onde as espécies são encontradas, me veio a mente o "pequeno" percurso geográfico que o precursor do gênero fez para irradiar seus genes. Lembrando que estes peixinhos são da família Serranidae, ou seja, são parentes próximos das grandes garoupas, como o Mero. 

Antes quero elucidar meu raciocínio, então leve em conta que não achei nenhum artigo que trate do caso de irradiação geográfica do gênero Liopropoma, que creio que nem exista. É o seguinte:
Sabemos que antes os nossos continentes formavam um aglomerado só, um único super continente chamado Pangeia e um imenso oceano de nome Pantalassa o rodeava. As famílias, gêneros e espécies que lá viviam, tanto animais terrestres quanto marinhos, tinham aquela vasta imensidão para percorrer. hoje em dia temos os exemplos de animais de estreito parentesco, terrestres e aquáticos, que são encontrados, como exemplos, tanto no Brasil quanto na África(onças e leopardos) e peixes como os Squirrell fish que são encontrados tanto no Brasil como na Austrália. Os animais terrestres que migravam de um ponto a outro e acabavam zoneados, com o passar do tempo  acabavam por “metamorfosear” o seu fenótipo e adquirir novos genes no processo de especiação, acontecendo o mesmo com os marinhos. Nos mares, naquele tempo, já existiam os grandes peixes migradores, com seus corpos adaptados para nadar grandes distâncias, sua irradiação pelos mares era óbvia. Mas e os pequenos peixes como o cavernoso, que estão sempre em alerta contra predadores, não podendo se afastar tanto da segurança de seus esconderijos, e com suas estranhas e sensíveis larvas, que não podem usufruir do sabor das correntes como boa parte das larvas dos peixes pelágicos?

Então, imaginei eu, que o primeiro Liopropoma se esgueirou pelas locas e fendas de seus lares, na medida em que os continentes foram se dividindo e novos mares foram se formando e em cada ponto que chegava foi deixando seus descendentes que eram modificados e especiados de acordo com as necessidades que encontrava no novo habitat, aumentando assim o seu banco filogenético. A quanto tempo isso aconteceu? Ninguém sabe, mas, imagino que os peixes do gênero Liopropoma são uma linhagem bastante antiga de moradores de nossos mares, talvez datada do Triássico.


Circulado em vermelho é a região onde provavelmente apareceu o "primeiro" Liopropoma, que na medida em que os continentes foram tomando a forma atual, foi se infiltrando pelos novos lugares formados, com espécies sendo encontradas hoje em dia desde o Japão, passando pela Austrália e África, até o Brasil, Caribe e Galápagos. Naquela região, que hoje é o Oceano Indico, também é o provável local onde se iniciou a jornada de inúmeras famílias e gêneros de animais marinhos que hoje povoam todos os mares de nosso globo.  

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